Conta-nos Como Foi

Conta-nos Como Foi, por Catarina

14:32 Branco Menta 0 Comments


Como ainda falta um ano para o meu grande dia, decidi partilhar a história de casais que passaram por esta "saga" de preparar um casamento.
Já disse aqui que adoro ler publicações sobre casamentos, ver fotos, e tentar aprender um pouco com a experiência de outros casais.
No primeiro Conta-nos Como Foi "convidei" uma grande amiga e que foi uma das responsáveis por hoje eu estar noiva. Foi uma das pessoas que mais nos apoiou nesta decisão, dando incentivo e mostrando que não é assim tão impossível casar.
A Catarina e o Daniel namoraram 8 anos e meio e aos 27 anos deram o nó num ambiente que tem tudo a ver com eles. Ambos são portugueses a residir em Macau, e apesar de terem casado por terras lusas, o tema remete ao oriente que eles tanto gostam.
Deixo-vos agora com algumas perguntas que lhe fiz, e com algumas fotografias do grande dia deste casal.



-Branco e Menta: Vocês já viviam juntos antes de casar. O que vos levou a tomar esta decisão de casar com papel passado?
Catarina: Duas razões, uma familiar e outra legal (ou não fossemos nós advogados). Por um lado, para a minha família, especialmente a minha avó paterna, era muito importante oficializarmos o laço e de preferência na Igreja, já que ela é muito religiosa. A segunda razão prende-se com razões legais, pois efectivamente ainda hoje há na lei certos benefícios apenas concedidos a cônjuges e não a unidos de facto. E um dia mais tarde pretendo adoptar uma criança e penso que esse processo irá ser mais fácil se estivermos casados.

-Branco e Menta: Com quanto tempo de antecedência começaram a preparar o casamento?
Catarina: Exactamente, com um ano de antecedência.

-Branco e Menta: Apesar de serem portugueses, vivem em Macau. Nunca colocaram em causa casar em Macau?
Catarina: Nunca! Exceptuando os meus pais e irmã toda a nossa família está em Portugal e também a maior parte dos nossos grandes amigos.



-Branco e Menta: Foi difícil preparar um casamento estando à distância?
Catarina: Foi bastante complicado. Hoje em dia com a internet (troca de emails, facebook, etc) fica tudo muito mais fácil. Mas houve coisas relativamente complicadas. Por exemplo, o vestido! Só experimentei o vestido duas vezes antes do casamento e fiquei logo com o segundo que experimentei. A primeira vez foi um antes no Verão, a segunda foi no Natal. Como perdi imenso peso tive que contar com isso e escolher um vestido que não fosse preciso apertar muito, que tivesse um corpete para apertar.
Outra questão foi a quinta e o fotógrafo. A quinta só vi esta e decidi logo e depois houve coisas que não correram muito bem porque não tive muito tempo para dialogar. O fotógrafo foi um desastre, aquilo que mais lamento no meu casamento e se tivesse estado em Portugal com certeza teria procurado melhor.
Por último, a questão burocrática! A minha sogra teve que me ajudar muito com os documentos necessários, caso contrário não teria sido possível!
Vou contar um episódio caricato: Como nos casamos pela Igreja tivemos que fazer um curso de preparação para o matrimónio. O padre daqui "obrigou-nos" a frequentar o curso durante 2 meses (e só foi 2 meses porque eu entretanto me impus e lhe disse que não podia continuar mais), todas as semanas, duas vezes por semana, cerca de 1 hora e meia! E porquê? Porque descobriu que o Daniel era ateu e fez da sua missão convertê-lo...o que claramente não resultou. Além disso tinha ideias pré-concebidas e antiquadas do casamento, tais como o papel da mulher é na cozinha, não é permitido o uso de contraceptivo, etc. Um sofrimento. Chegamos a Portugal e fomos falar com o padre que nos foi casar. Ele era uma simpatia, um padre moderno, inteligente. De repente ele pergunta-nos: Então temos que fazer o curso de preparação. Mas não se preocupem falamos aqui uma horinha e já fica tudo feito! Quase que ia caindo da cadeira!!!

-Branco e Menta: Houve algo que se tenham arrependido de ter feito nos preparativos (ou no próprio dia)? E de não terem feito?
Catarina: Nos preparativos aquilo que me arrependo mais foi de não ter esclarecido algumas coisas com a quinta e com o fotógrafo. A quinta era em Sintra e pensamos que ia estar fresco. Nem nos lembramos de perguntar se tinha ar condicionado porque aqui em Macau todos os locais têm ar condicionado. Pois a quinta não tinha! E os convidados passaram um pouco mal porque estava mesmo muito calor.
Outro aspecto prendeu-se com o horário. Disseram-nos que podíamos ficar até à 1h, mas à meia noite mandaram o DJ parar de tocar e como só estavam lá 2 mesas (os meus amigos), começaram a varrer tudo e a limpar. Uma tristeza...
O fotógrafo cativou-nos porque nos mostrou fotos giríssimas. Nós não queríamos poses e ficamos convencidos. A verdade é que aquelas fotos eram de uma sessão pós-casamento (que nem sequer pudemos fazer pois não estamos em Portugal). No dia foi tudo à base de poses. Mas pior que isso não tiveram a mínima atenção aos pormenores. Por exemplo, algumas fotos de que gosto bastante, estou com a alça de pendurar o vestido para fora ou o Daniel está a suar por todos os poros... Por outro lado, tiraram imensas fotos a uma senhora grávida, crianças, etc. e poucas ao resto dos convidados. O pai do Daniel e a minha mãe têm duas únicas fotos em todo o casamento! E para terminar mal começou o almoço só voltaram a tirar fotos no corte do bolo! Por exemplo, só tenho fotos da primeira dança porque amigos meus tiraram....



-Branco e Menta: Tiveram algum tema como inspiração? Qual?
Catarina: Sim, o nosso tema era oriental/chinês. A quinta era a Ten-Chi por isso conjugava bem com o tema. Na cultura chinesa, usam muito as cores preto e vermelho e fizemos um contraste com essas duas cores. Aproveitamos o facto de estar em Macau e levamos também lanternas, pauzinhos (prenda para os convidados), canas de bambu etc.

-Branco e Menta: Uma das questões principais nos casamentos é o orçamento: onde gastaram mais dinheiro e onde conseguiram poupar ao máximo?
Catarina: Para além da quinta, onde gastamos mais dinheiro foi no fotógrafo... Conseguimos poupar nos convites, ementas, marcadores de mesa, quadro de convidados e lembrança. Os primeiros fomos nós que fizemos aqui em Macau, o quadro de convidados foi uma amiga que ofereceu e as lembranças como comprámos aqui - e foi uma encomenda grande - ficou muito barato.
A igreja foi outra surpresa. Tendo em conta que nos casamos nos Jerónimos. o montante pedido foi irrisório. Por outro lado, como os Jerónimos já por si é lindíssimo, não precisamos de gastar dinheiro a decorar com flores (caríssimo!) ou carpete.
O Daniel ficou com o fato de casamento para usar no dia-a-dia por isso também se pode dizer que foi uma boa poupança!



-Branco e Menta: Consegues escolher um dos melhores momentos do dia? Qual?
Catarina: Eu estava extremamente nervosa! Se pudesse repetir tudo, repetiria mas agora sem os nervos. Os nervos começaram logo quando a limousine que era suposto me ir buscar nunca mais aparecia (e nos Jerónimos, a cerimónia tem mesmo que começar a horas!) e continuaram até eu chegar ao pé do Daniel (de tal maneira que ia a andar e perdi o sapato, mas ninguém reparou...eh eh eh). Os momentos que mais me marcaram acho que foi a saída da Igreja, a primeira dança e de uma maneira geral toda aquela alegria no ar dos meus familiares e amigos.

-Branco e Menta: O que mudou nas vossas vidas agora que são casados?
Catarina: Sinceramente, nada! Como já vivíamos juntos não notei alteração nenhuma. Excepto as pessoas quererem-me tratar por Catarina Xavier e eu ter que explicar que não adoptei o nome do meu marido...


-Branco e Menta: Que conselhos dão a futuros noivos?
Catarina: Façam o que vos fizer feliz. Claro que há uma ou outra situação de compromisso mas não vão pelo que os outros dizem! É o vosso dia! Convidem só quem querem mesmo lá presente, agradem a vocês próprios e não estejam nervosos! O dia passa muito rápido, aproveitem!

You Might Also Like

0 comentários: